quarta-feira, 15 de maio de 2013

O CÉREBRO E O AMOR



O CÉREBRO E O AMOR

CientificamenteCientificamente, a mente se produz do cérebro e, didaticamente podemos dividi-la em algumas estruturas meramente funcionais como, por exemplo, o raciocínio, a memória, os sentimentos, a personalidade... (são funcionais porque não se localizam anatomicamente neste o naquele lobo, área ou região).

Apesar de dispormos de um raciocínio que funciona comandado pela lógica, não conseguimos detectar a razão lógica pela qual gostamos de algumas coisas e não de outras. Mesmo contrariando a lógica, na maioria das vezes sabemos apenas que gostamos ou não gostamos e ponto.

Como acontece em relação ao mundo físico, das cores, dos sabores, dos sons, quando vemos a uma pessoa também sentimos gostar dela (ou não). Normalmente não temos a mais pálida ideia porque gostamos, mas como o ser humano tende a recorrer ao raciocínio para explicar tudo, procedemos a uma insólita ginástica mental tentando justificar, pela razão, as atitudes eminentemente subjetivas.

Cientificamente, pelo menos até agora, o máximo que podemos dizer é que a estrutura cerebral reage diante de situações de uma maneira específica, fazendo com que a pessoa experimente a sensação de gostar. O amor, entretanto, parece ultrapassar a sensação de gostar. O amor parece acontecer quando um determinado objeto é apresentado à nossa personalidade e sentimentos aprazíveis são despertados por suas propriedades. A peculiar combinação desses sentimentos acaba produzindo o amor.

Pesquisadores do comportamento humano têm tentado explicar a fisiologia do amor como uma reação muito peculiar do cérebro para determinados estímulos. Com ajuda das técnicas de 
imagens cerebrais funcionais, foi obtido um mapeamento do cérebro humano de dezessete jovens, comparando dois momentos diferentes: quando olhavam a fotografia da pessoa amada e quando olhavam fotografias de outras pessoas.

Os pesquisadores foram capazes de identificar áreas mais intensamente ativadas nas pessoas apaixonadas. A pesquisa concluiu que as sensações intensas se alojam no centro do cérebro, especificamente em uma área chamada núcleo caudal e na área ventral.

No apaixonado bate mais rápido o coração, a pressão arterial sobe, as pupilas dilatam, a temperatura pode variar bruscamente, o estômago revira e as mãos suam e tremem. São os mesmos sintomas do estresse, geralmente devidos aos efeitos orgânicos da adrenalina, dopamina, cortisol, e outras substâncias envolvidas na ansiedade aguda.

Esses dados, considerando-se o ponto de vista estritamente científico, levaria cientistas a concluírem que o organismo tem um determinado prazo para responder adequadamente ao amor, ou seja, um prazo de validade para uma paixão. Assim como acontece no estresse, depois de algum tempo amando o organismo entraria em colapso.

Parece que a hipótese da validade para uma paixão considera aquele estado emocional e sentimental que aparece no início do relacionamento, que arrebata o apaixonado determinando todas suas ações. Esse estado de paixão exaltada, conforme pensam alguns pesquisadores, com o tempo acaba derivando para um amor mais sereno, sólido e constante, se transforma em algo que turva menos a consciência e gera menos ansiedade ou, de outra forma, acaba esmaecendo de forma estéril.

Essa linha de pensamento nos faz crer, então, que o amor só é possível pela integração dos atributos de dois sujeitos; um oferecendo propriedades e qualidades que serão amáveis quando apreendidas pela afetividade e sensibilidade do outro, e vice-versa. As qualidades e propriedades do objeto amado só terão capacidade de produzir o amor naquele sujeito com sensibilidade suficiente para amar.

Outra peculiaridade do amor que parece verdadeira é em relação ao, digamos, período de carência para surgir o amor, ou seja, a quase impossibilidade do amor ser instantâneo. Isso acaba, de certa forma, desmistificando amor à primeira vista, conforme mostrou uma equipe de cientistas britânicos, para os quais são necessários, em média, 12 meses para alcançar “o verdadeiro amor”.

Digamos que a libido é o carro chefe que mobiliza uma pessoa em direção à outra nos primeiros momentos, a atração é tão forte que pode ser confundida com amor. O correto talvez fosse dizer tesão à primeira vista.

Os especialistas da Universidade de Bath (sul da Inglaterra) estudaram durante seis meses as relações amorosas entre pessoas que se conheceram por um site de namoro, o “match.com”. Segundo o estudo, o amor verdadeiro e profundo só foi observado em casais que mantiveram uma relação amorosa durante uma média de 12 meses.

Para esses especialistas, o amor verdadeiro é uma combinação de três componentes: paixão, intimidade e entrega. Dos 147 casais estudados, 61% deles disseram que tinha altos níveis de intimidade, paixão e entrega. Para a maioria desses 61%, a média de duração da relação amorosa foi de 12 meses. Os outros casais que não se encaixaram no grupo do amor verdadeiro disseram desfrutar de amor companheiro, com altos níveis de intimidade e entrega, mas sem muita paixão.

Nosso trabalho não pretende e nem conseguirá responder as perguntas mais intrigantes sobre o amor. Elas continuarão sem respostas, como por exemplo, por que se ama e por que o mesmo amor pode nos alegrar ou nos tornar infelizes? Pretendemos apenas apontar alguns caminhos para se pensar sobre o assunto.

Maria de Lourdes Borges, autora do livro Os Caminhos Filosóficos do Amor explica três tipos de amor, academicamente obedecendo a uma denominação grega: Eros, Philia e Caritas. O amor Eros é, com certeza, o mais conhecido, o mais cantado em prosa e verso, o de maior sucesso na literatura, no teatro, cinema e nas artes em geral. O amor Eros é também o maior responsável pelos usuários de antidepressivos.

O chamado amor tipo Philia, é mais próximo daquele definido por Aristóteles, percebido como o desejo de partilhar a companhia do outro, principalmente se for através da virtude. É querer o bem do outro. Este amor está atrelado à alegria da existência do outro, é um amor quase altruísta (nenhum amor é totalmente altruísta), fazendo a pessoa feliz porque o amado existe. Temos esse amor em relação aos pais, filhos, irmãos...

Por último, Borges cita o amor tipo Caritas, muito próximo da Philia. É um amor também condicionado ao bem do outro, próximo daquilo que entendemos por humanismo cristão. 

http://www.psiqweb.med.br

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