domingo, 19 de maio de 2013

A CONVERSA QUE NÃO TEREI - LALY OLIVER



A CONVERSA QUE NUNCA TEREI

POR LALY OLIVER


Está é a carta que você jamais receberá.
Até porque não faz sentido, cobrar ou discutir qualquer coisa.
Tenho consciência disto.
Porém existe uma necessidade quase orgânica de falar,
de limpar minha alma.
Então esta carta é para mim mesma.
Sei que tanto fez como tanto faz.
Também sei que isto não é verdade.
Sei que você não está em condições de ter nada melhor.
E que assim que tiver vai encontrar alguém mais adequado.
Sei que nenhuma outra louca faria o que eu faço.
Isto deveria bastar para você entender,
que sinto mais do que qualquer lance físico.
Mas fingir que não percebe é  muito mais cômodo.
E sei que você tem raciocínio para tanto.
Mas fica mais simples enganar sua própria consciência.
Não se sentir devedor,
Acreditar que mudou, que amadureceu.
Seus razão não é simplista,
já te conheço bem.
Tenta esconder de si mesmo,
atrás de uma armadura de proteção,
que o que sente por mim,
vai além de dois corpos alucinados de prazer.
Eu tenho consciência disto.
Mas você se esconde de si mesmo 
e de seus preconceitos como se fosse moderno,
como se fosse "cool".
Foge dos seus próprios pensamentos traidores.
Ainda não enlouqueci.
Ainda tenho discernimento
para  ler teus sinais,
para  escutar teu corpo,
para  falar com tua pele.
É uma pena.
Teria o melhor de dois mundos.
Até porque jamais menti para você.
Sei exatamente o que não quero.
Sei também te classificar 
na mesma estante que me colocou.
E rodo a fila.
No momento tenho mais chances que você.
Sem dramas,
sem tristezas,
sem mágoas.
São simples constatações.
Como poeta que sou
troco de  inspiração.
Esta carta não serve para mais nada.
A não ser concluir para mim mesma.
Porque sou feliz com tudo que 
a vida me traz.
É apenas a porta fechada,
não gosto de portas entre-abertas.

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