quarta-feira, 15 de maio de 2013

A QUÍMICA DO SENTIR



Neurofisiologia do Apego 

(termos técnicos, para pessoas da área)
A Bioquímica da Escolha Amorosa
Baseado em Sophia (2006) - transcrição

Embora não se possa, decididamente, garantir nem jurar, as pesquisas apontam existirem dois sistemas implicados na escolha e determinação da preferência por um parceiro específico. O chamado sistema dopaminérgico córtico-estriatal e o sistema de neuropeptídeos transmissores. As projeções dopaminérgicas das estruturas corticais para o núcleo accumbens (NA) na porção anterior do corpo estriado são um elemento-chave para o estabelecimento de saliência a estímulos relevantes para a espécie e para a preservação do indivíduo.
Além de um papel relevante em comportamentos motivados e relacionados ao apetite, esse sistema dopaminérgico também está implicado na capacidade de vinculação social. Em estudo realizado com ratazanas macho da pradaria (Microtus orchrogaster), foi comprovado que a dopamina é crucial para a formação do apego, sendo que a administração de haloperidol bloqueou e da apomorfina induziu o estabelecimento da parceria.

Esteroides gonadais e neuropeptídeos transmissores também modulam funções sócio-sexuais, como acasalamento, parceria e parentagem. Porém, em primatas e na espécie humana, a participação dos hormônios sexuais é reduzida, cedendo mais espaço aos neuropeptídeos transmissores: ocitocina, vasopressina e opioides endógenos. A ocitocina e a vasopressina parecem se dividir entre comportamentos próprios do gênero feminino e masculino, atuando, respectivamente, em cada gênero como moduladores da preferência por parceiros. Em outras palavras, são as bases neurobiológicas da fidelidade.38 A beta-endorfina, agindo através dos receptores m opioides localizados nos terminais dendríticos do NA é responsável pela sensação de consumação prazerosa do ato sexual e possivelmente de outros comportamentos instintivos.

Acredita-se que o acidente geográfico responsável pela criação das montanhas rochosas isolou uma população de ratazanas da pradaria, dando origem a uma nova espécie da montanha. Condizente com sua origem comum, as duas espécies guardam muitas semelhanças, porém o comportamento sócio-sexual difere. Em ambos os tipos de roedores, a distribuição dos receptores dopaminérgicos coincide, mas a expressão de receptores de vasopressina V1a nas estruturas telencefálicas é sensivelmente menor na variante da montanha. A ratazana da pradaria atinge a maturidade, acasala e mantém a mesma parceria ao longo da vida. Mesmo ratas jovens dessa espécie, que tenham acidentalmente perdido o parceiro, não estabelecem outro laço conjugal.

A ratazana macho da montanha, ao contrário, tem comportamento sexual promíscuo e vive só. Em um estudo de manipulação genética, foi alterado o gene responsável pela expressão do receptor V1a, aumentando sua expressão nas estruturas telencefálicas. Observou-se uma mudança radical no comportamento desses roedores que, apesar de serem provenientes de uma espécie promíscua, passaram a apresentar preferência por parceiro específico, à semelhança da ratazana da pradaria.

Além da preferência por parceiro, em modelos animais, a ocitocina e a vasopressina se relacionam, respectivamente, à facilitação da interação mãe-filhote e contato físico sem fins sexuais em fêmeas; e proteção agressiva do espaço de copulação, cuidados paternos e estabelecimento de memórias para reconhecimento do grupo social. Em machos da espécie humana, a vasopressina atinge picos de atividade durante o período de excitação sexual. Os neurônios produtores de ocitocina e vasopressina, que estão localizados no núcleo paraventricular do hipotálamo, projetam-se para amídala e NA, onde se estabelece a interface entre os sistemas sócio-sexual e de incentivo-motivação.

Embora os mecanismos dessa interação ainda não tenham sido desvendados, é possível especular sobre ela, uma vez que a combinação de diferentes níveis de atividade dos sistemas de incentivo-motivação (dopamina) e de afiliação (neuropeptídeos) podem explicar muitas das variações observadas no comportamento sexual humano.





Entre a Serotonina e o Encantamento
Maria de Lourdes Borges, no melhor estilo científico, levanta ainda outras hipóteses sobre o amor. Além das especulações metafísicas, ela também discute sobre a duração do amor fisiologicamente determinado. Assim, cita estudos contemporâneos revelando que o êxtase amoroso deve durar cerca de 18 meses a 3 anos, em decorrência de uma substância chamada feniletilamina, que seria ligada ao sentimento de estar gostando de alguém.

Sabe-se também que quando a pessoa está apaixonada, a dopamina, neurotransmissor relacionado à sexualidade e ao prazer, circula em maior quantidade no cérebro. Nessa situação o aumento da adrenalina favorece sensações sexuais e eróticas e ela é balanceada com a serotonina, outro neurotransmissor que diminui um pouco a ação da libido.

Sobre a possível diversidade da natureza da paixão, conforme cita a psiquiatra Carmita Abdo, “pode-se dizer que a paixão é neuro/moral/psicológica, já que está relacionada aos neurotransmissores, aos efeitos dos hormônios, ao psiquismo e à cultura de onde o indivíduo está inserido”.

Uma das características mais valorizadas no amor é o arrebatamento que ele provoca, o entorpecimento do bom senso, a busca de uma relação exclusiva e que domina totalmente as emoções, além de um turbilhão de emoções decorrentes. Porém, os pesquisadores começam agora a se preocupar com o que acontece quando este “sentimento ou emoção levada a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão” (dicionário Aurélio), começa a arrefecer, esmaecer, ir embora. Para muitos, pode significar o fim do relacionamento, principalmente se este for do tipo que não sobrevive sem a paixão. Para outros, quando a paixão se aquieta pode ter início uma relação mais estável, onde o furor e a euforia são substituídos por um encantamento capaz produzir o amor.

Para ilustrar a vocação para o pensamento mágico estimulada pelo amor, está transcrito abaixo uma “simpatia”, uma espécie de benzimento, mandinga, seja lá o que for, colocado à disposição dos amantes não correspondidos pela internet.
Entre a Serotonina e o Encantamento
Maria de Lourdes Borges, no melhor estilo científico, levanta ainda outras hipóteses sobre o amor. Além das especulações metafísicas, ela também discute sobre a duração do amor fisiologicamente determinado. Assim, cita estudos contemporâneos revelando que o êxtase amoroso deve durar cerca de 18 meses a 3 anos, em decorrência de uma substância chamada “feniletilamina”, que seria ligada ao sentimento de estar gostando de alguém.

Sabe-se também que quando a pessoa está apaixonada, a dopamina, neurotransmissor relacionado à sexualidade e ao prazer, circula em maior quantidade no cérebro. Nessa situação o aumento da adrenalina favorece sensações sexuais e eróticas e ela é balanceada com a serotonina, outro neurotransmissor que diminui um pouco a ação da libido.

Sobre a possível diversidade da natureza da paixão, conforme cita a psiquiatra Carmita Abdo, “pode-se dizer que a paixão é neuro/moral/psicológica, já que está relacionada aos neurotransmissores, aos efeitos dos hormônios, ao psiquismo e à cultura de onde o indivíduo está inserido”.

Uma das características mais valorizadas no amor é o arrebatamento que ele provoca, o entorpecimento do bom senso, a busca de uma relação exclusiva e que domina totalmente as emoções, além de mais um turbilhão de emoções decorrentes. Porém, os pesquisadores começam agora a se preocupar com o que acontece quando este “sentimento ou emoção levada a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão” (dicionário Aurélio), começa a arrefecer, esmaecer, ir embora. Para muitos, pode significar o fim do relacionamento, principalmente se este for do tipo que não sobrevive sem a paixão. Para outros, quando a paixão se aquieta pode ter início uma relação mais estável, onde o furor e a euforia são substituídos por um encantamento capaz produzir o amor.


http://www.psiqweb.med.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário