ESTÍMULO FACILITANDO O APETITE SEXUAL
| Cássio dos ReisCRP 4776-6 Psicólogo, psicanalista e sexólogo.
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Quando a sexualidade começou a chamar mais atenção, trouxe também como conseqüência mais restrições, exatamente porque se percebeu o grande trunfo que seria divulgar que o prazer era lícito e necessário. Movimento este que inclusive começou na Inglaterra quando a rainha Vitória questionou o prazer sexual, que começava a aparecer mais explicitamente.
A masturbação aparece como a grande vilã, e assim surge o veredicto que até hoje a acompanha, obscurecendo o exercício lícito do prazer provocado, tornando-a pecaminosa, com um ônus de culpa e vergonha. Não é preciso muito esforço para concluir que os mitos e tabus acontecem exatamente nesse momento, quando a sexualidade é colocada à prova. A mulher era necessária para o prazer dos homens e à criação dos filhos. Jamais lhe fora dado o direito de sentir prazer. Por sinal, a possibilidade de uma mulher sentir um orgasmo era muito mal vista, ou melhor, nem era considerada. Um número considerável de mulheres, ainda hoje, não consegue chegar ao ápice do prazer sexual, por conta da herança de uma educação familiar ou religiosa rígida, de um trauma infantil, angústia ou medo de uma gravidez indesejada, um descontrole emocional ou ainda por pretexto de estar vivendo uma situação momentânea particularmente difícil, o desinteresse do companheiro pelo sexo com a parceira, a torna ainda mais culpada, como se fosse ela sua única causadora.A mulher é bombardeada de todas as formas, como herança traz a necessidade de provocar o prazer e a sedução e quando não acontece, é tida como a grande vilã do desejo desfeito, muitas vezes desencadeando o surgimento da frigidez. Cabe a ambos, desenvolver a sedução, estimular e valorizar o relacionamento, possibilitando assim como conseqüência, o revigoramento do desejo.O prazer é o acessório que de presente o corpo nos oferece, facilitando a convivência e a proximidade dos parceiros, um direito adquirido e um dever a ser cumprido, o relacionamento com o outro torna facilita a vivência deste preceito , a dimensão da entrega, a realização com outro, torna a busca do prazer uma conquista única.O prazer esporádico, fica envolto numa acomodação impensável de que um pequeno prazer seja suficiente e melhor do que nada, como se a capacidade de produzir ou não prazer fosse automática, independente de empenho e dedicação. As razões são as mais variadas, a gravidez que exigindo cuidados especiais, poderia desencadear uma apatia sexual, por conta de uma pretensa fragilidade do feto, quando que, a bem da verdade, geralmente alavanca o desejo sexual, além dos aspectos emocionais, os fisiológicos que contribuem com uma maior irrigação sangüínea nos órgãos genitais, facilitando o excitamento e o desejo. O relacionamento sexual durante a gravidez traz portanto um benefício adicional não só para a gestante, como também para o companheiro que se beneficia deste desejo, compartilhando a mágica da gravidez de forma intensa e prazerosa. Um outro pretexto pela falta de excitação feminina pode também ser a dificuldade de sentir e observar os próprios órgãos genitais, imaginando-os feios e mal formados, como se isso provocasse vergonha, e a rejeição dos homens. | ||||
| Mesmo bombardeadas com a obrigatoriedade da silhueta perfeita, do sentimento verdadeiro, da pronta felicidade, coerência e independência, o que convenhamos nem sempre é possível, as mulheres não imaginam o quão excitantes para os homens, são seus genitais, sempre misteriosos, exclusivos em seu formado assim como o corpo e o próprio rosto. Cabe a cada um de nós, desvendar os mistérios, sem prejuízo da vivência lícita e sadia da própria sexualidade, não se perdendo em mitos e tabus absurdos que só confundem e boicotam o estímulo ao prazer. |

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