sexta-feira, 14 de junho de 2013

SENTA QUE LÁ VEM CONVERSA - FEIRA LIVRE



SOBRE A FEIRA LIVRE

Por Iara de Oliveira Rocha

Em 1.978 sofri um terrível acidente automobilístico, as consequências foram muito sérias.
Tive morte clínica decretada, ressuscitei, levei longos 5 anos até reaver meu rosto e os
movimentos da face. Assim que sai do hospital cada mínimo progresso era recebido por
mim com muito entusiasmo; coisas simples sabe, como tomar água no copo, comer comida
mastigável. Acho que tudo isto fez com que eu percebesse a beleza das pequenas coisas 
diárias; e assim me tornei um ser profundamente grato a vida.
Acho que este é o grande motivo pelo qual amo feiras livres. Se por acaso alguém de 
vocês me encontrarem em alguma feira, olhará para mim e enxergará uma menina de 5 anos
tamanha a minha felicidade. Tudo bem muitos dirão que é porque faço a mesma feira faz
53 anos, ou porque conheço os feirantes pelo nome, e sou amiga de todos eles. Mas a 
minha paixão pelas feiras livres vai muito além disto.
Na minha opinião a feira livre é a franca demonstração da abundância divina; tantas cores,
sabores, cheiros, e especialmente um verdadeiro exército de pessoas envolvida no 
intuito de me servir. Me sinto a Rainha de Sabá.
Pensem comigo um simples pé de alface tenro e verdejante você vai a feira e compra um.
Agora raciocinem alguém preparou o terreno; alguém separou as sementes; alguém plantou;
alguém regou;. alguém protegeu os brotinhos. Mas antes para que tudo isto acontecesse
alguém trabalhou na indústria de insumos; alguém trabalhou em toda a cadeia de transportes;
alguém vendeu.
Depois que o alface atinge o ponto ideal ele é colhido, embalado(produzida por alguém), é 
transportado por um caminhão (que alguém dirige, alguém conserta, alguém abastece).
Então o alface vai a um distribuidor que vende ao feirante que o vende para mim ou você.
E eu o coloco na mesa para alimentar e fazer minha família feliz.
O alface custa em torno de R$1,00 o pé, e este dinheiro que pago gira a roda da fortuna 
no mundo; cada pessoa envolvida nesta corrente de acontecimentos é beneficiada pela
roda da fortuna que foi ativada pelo fato de eu ter comprado um pé de alface. E isto 
meus queridos se repete a cada item comprado.
Sou completamente grata e fascinada por esta engrenagem de interligação no mundo.
Acho que é por isto que adoro tanto ir a feiras livres e super-mercados. Eu os vejo sempre
com a ação de Deus no mundo. Eu os vejo sempre como uma gigante cornucópia(*) da
prosperidade.
Escrevi sobre o assunto porque minhas pacientes não se conformam com o tamanho da
minha felicidade ao fazer tais tarefas.
Na verdade acho que hoje em dia sofro do complexo de Polyana; sou feliz mesmo, tenho
gratidão da hora que acordo, até a hora em que durmo. Adoro viver e acho que estar vivo
é uma benção tão grande, que qualquer gratidão ainda é pouca.

Beijos
Iara de Oliveira Rocha


obs - (*) CORNUCÓPIA - A palavra é originária do latim (cornu copiae = chifre da abundância). Trata-se de um símbolo relacionado à fartura da alimentação e à abundância em geral. Na mitologia grega consta que Almatéia (ninfa do Olimpo) alimentou Zeus com leite de cabra. Em toca desse favor, Zeus ofertou-lhe um chifre desse animal, que tinha o poder de dar à pessoa que o possuísse tudo o que quisesse. Deidades da mitologia grega ? especialmente a deusa Fortuna - eram por vezes representadas com o chifre repleto de bens.








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