quinta-feira, 20 de junho de 2013

A FITA MÉTRICA DO AMOR - MARTHA MEDEIROS



A FITA MÉTRICA DO AMOR

Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau 
de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, 
quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri 
destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, 
quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa 
justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de 
mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, 

quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
 É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, 

quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo 
com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera 
de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger 
por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de 

um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas 
semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas 
medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que 
parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de 
um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam 

e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não 
através de centímetros e metros, mas de ações e reações, 
de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, 
e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. 
O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam 

uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros

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