quinta-feira, 20 de junho de 2013

SENTA QUE LÁ VEM CONVERSA - FACA NA BOTA



FACA NA BOTA

Por Iara de Oliveira Rocha

Hoje na minha página do facebook Coisas de Iarinha https://www.facebook.com/CoisasDeIarinha
usaram um termo para se referirem a mim como "sei que você é faca na bota", 
essa é uma expressão usada no sul do Brasil que significa " aquela que não
leva desaforo para casa, termo sulista para  descrever mocinhas que se 
defendiam com um punhalzinho escondido debaixo da saia caso precisassem 
se defender de qualquer situação inusitada.
Fiquei tão feliz com o elogio que vocês não fazem ideia. 
Sou de uma geração que teve o privilégio
de ter de lutar por cada conquista feito uma onça brava, que é outro
 termo ao qual sou comparada; termo que também amo 
e chego usar no meu mural pessoal; tudo que quisemos ter tivemos de
brigar muito, nasci em fevereiro de 1960, época que mulher era educada
 para ser esposa e mãe.Brigamos para estudar, brigamos para trabalhar,
 brigamos para nos expressar, brigamos para namorar quem quiséssemos, 
brigamos para poder beijar na boca, brigamos para transar antes de casar,
 brigamos pelo direito de termos orgasmos, brigamos para casar, brigamos para nos
 separar, brigamos pela liberdade contra um regime autoritário, 
brigamos pelo nosso direito de consumidor.
Enfim tivemos de brigar por tudo, sem dúvidas que todas as coisas tinham mais gosto.
 As gerações vindouras usufruíram de todas nossas as nossas conquistas, 
graças a Deus. Mas percebo que nossa missão transmutadora não chega ao fim nunca.
 Agora brigamos por outros tantos e importantes motivos, 
ecologia, direito dos idosos, contra a corrupção, contra a agressãode mulheres, 
contra a homofobia, e contra todos os direitos cerceados. Continuamos lutando pelo
direito ao sexo, prazer, porque parece que as pessoas acham que as pessoas maduras
não tem mais direito ao prazer. E avisto uma luta novamente contra a liberdade 
de expressão se não abrirmos os olhos contra a bancada evangélica do legislativo 
que quer nos fazer regredir as trevas, achando que homossexualidade é doença, 
que as mulheres especialmente em alguns casos muito específicos
não tem direito ao aborto (na surdina estão votando esta lei), mesmo sob o 
risco de morte da mãe ou do bebe acéfalo, ou de estupro; querendo fazer 
com que o país deixe de ser laico e que os direitos pelos quais arriscamos 
nossas vidas nas décadas de 60, 70 e 80 sejam deixados para lá.
Então  eu realmente te agradeço demais meu amigo Ivan, amei o 
termo, e me fez repensar que desde menininha sou "Faca na Bota" 
com tanto orgulho, mas com tanto orgulho,
que cheguei a ter um acréscimo na estima por mim mesma tamanho contentamento.
Então comecei me lembrando das mulheres que abriram caminho para minha geração,
 todas elas "Faca na Bota" e decidi fazer publicações sobre tais mulheres, tantas 
vezes esquecidas, injustiçadas, e tantas outras ainda comparadas a 
prostitutas para diminuírem o devido reconhecimento que lhes cabe.
Então em homenagem a todas aquelas "Sangue nos Zóio" (sangue no olho)
 como diz meu filho em sua gíria. Publicarei várias mini-biografia delas. 
Vocês podem me ajudar sugerindo alguma 
que eu por ventura me esquecer. 

Beijos 
Iara de Oliveira Rocha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário