quarta-feira, 5 de junho de 2013

A INVEJA





INVEJA


Não a caso a inveja é um dos sete pecados capitais. Entretanto, fala-se pouco dela, sua presença é geralmente só comentada “por cima”. Vamos aqui olhá-la bem de perto e ver como funciona.
A inveja é formada a partir do momento que se compara as qualidades do outro sem uma avaliação do próprio potencial, na qual a pessoa julga-se incapaz de realizar as suas ações criando fortes sentimentos
 de inferioridade e de frustração, porque hipoteticamente sente-se inferior a pessoa invejada.

Sedimenta-se assim o complexo de inferioridade caracterizado por forte impregnação emocional, total ou parcialmente reprimido, determinando atitudes comportamentais reprováveis

A inveja é a cobiça do ser assim como a ganância é a cobiça do ter. Pessoas gananciosas agarram tudo o que encontram. A cotoveladas buscam arrancar a fatia maior do bolo. São movidas por uma força cega e pouco se importam em quem pisam para conseguir o que querem. Seu desejo é obeso. A angústia que precisam aplacar internamente é muito grande, e neste vazio existencial jogam tudo quanto é possível para acalmar seu deus voraz.

Agora a inveja é diferente e menos escandalosa, porém mais perigosa. Seu alvo não é o que os outros têm, mas o que os outros são. O invejoso, que não tem personalidade própria mas vive de luz refletida, está encantado pelo outro. A pessoa que suscita sua inveja possui qualidades psicológicas que o atraem, que literalmente o fascinam. Isso poderia gerar uma relação positiva, de complementariedade, troca e amizade. Ou melhor: de mestre-discípulo, dependendo da situação. Mas o invejoso, em lugar disso, nega o fascínio que sente e busca sujar a imagem do outro.

A comparação que fizemos entre nós e o outro pode ser geral ou específica. É geral quando comparamos as qualidades psicológicas, morais, , sociais ou espirituais e é específica quando comparamos posses materiais, tais como casa, carro, roupa, dinheiro, porte físico etc
Faz parte da trama da inveja a vangloria. Quando, nos enaltecemos no fundo estamos procurando evitar o mal-estar do desequilíbrio. pregando excessivamente as nossas próprias qualidades com o único intuito de diminuir o outro.

A crítica é uma das máscaras da inveja porque, quando criticamos alguém de forma destrutiva, e quando temos necessidade de falar mal de alguém, provavelmente estamos nos sentindo inferiores a ele.

Por que ele faz isso? Porque se sente ameaçado. Como o invejoso se coloca muito abaixo da pessoa cuja personalidade admira, ele sequer cogita ser como ela (do seu jeito). No final das contas, o invejoso tem uma autoestima baixíssima, ele mesmo se coloca fora do jogo. Eliminando a possibilidade de jogar, não lhe resta que estragar o jogo dos outros.

E aqui começa a tristeza. O invejoso não vai declarar o que sente. Inveja é um sentimento do qual se tem vergonha. E também ele não pode reconhecer os valores que vê no outro, a não ser de forma superficial e fingida, como alguém que constata que o céu é azul e que há uma árvore no parque. Ele reconhece mas sem verdadeiramente valorizar, e só quando for necessário devido a situações sociais onde negar seria admitir que se tem um problema.

Há casos em que circunstâncias infortuitas da vida tornam impossível avançar e a pessoa tem mais talentos daqueles que consegue expressar e então sente inveja dos outros. Mas no geral, o problema do invejoso contumaz é que ele simplesmente não têm condições psicológicas para alcançar outros níveis. Falta-lhe estrutura psíquica e cultural. É como uma criança da primeira série que inveja o estudante universitário. A situação é sem esperança, a menos que ele não se disponha a percorrar o árduo caminho para chegar lá. Infelizmente, esse tipo de pessoa não quer se dar ao trabalho real de chegar onde sonha. Quer ela seja preguiçosa, quer prefira manipular os outros ou enfim seja totalmente incapaz, o fato é que há uma triste e fatal discrepância entre o que ela deseja e o que ela é.

Para começar qualquer trabalho de aprendizado, desde estudar matemática a iniciar uma terapia, a pessoa precisa reconhecer que não sabe, que há algo que ela não sabe e quer ou precisa descobrir. E aí começa o rolo: o invejoso se dá o luxo de ser tão orgulhoso a ponto de não poder enfrentar suas próprias lacunas, as quais desta forma nunca poderá preencher.

Assim, preso num círculo vicioso, ao invejoso só resta solapar a pessoa que desperta sua inveja. E fará isso da forma mais sutil, exdrúxula e por baixo dos panos possível. De maneira tão escondida e camuflada como seu real sentimento é.

O meio mais usado é a difamação. O invejo mente e torce a verdade, começando por sua própria percepção das coisas. De fato, o trabalho de difamação e solapamento do outro se instaura dentro da própria psique do invejoso, antes de alcançar o outro. Ele enxerga as coisas de forma distorcida e acredita tanto no que vê que quando comenta com os demais parece sincero, e pior, parece vítima.

O invejoso é, portanto, um fingido. Ele sufocou a tal ponto seu real sentir que está “convencido” do que fala. E precisa fazer isso, pois poucos aguentariam simplesmente reconhecer sua própria inveja e agir mal. Quem se percebe é a pessoa consciente que se trabalha. Esta não vai prejudicar a vida de ninguém, ela sofre em silêncio. Agora, o invejoso real cria uma bola de neve venenosa e apetitosa que fará rolar impiedosamente sobre o objeto de sua inveja com o intuito de eliminá-lo do território, e assim não ter que se deparar mais com a imagem projetada de sua própria incapacidade e fraqueza.

Normalmente o invejoso não se ama, vai se auto destruindo quer fisicamente pelas psicossomatizações e psicologicamente destruindo a sua auto-aceitação, ponto de apoio de todo o sucesso pessoal.

Finalizando, a inveja maléfica é o sinal de um coração obscurecido pela vontade de poder. Por isso ela está entre os sete pecados capitais.

NÃO PERCA TEMPO INVEJANDO OS OUTROS. EM VEZ DISSO REALIZE ACREDITANDO QUE VOCÊ FOI DOTADO POR DEUS COM AS MESMAS FACULDADES DAS PESSOAS QUE VOCÊ INVEJA

O invejoso é normalmente inseguro, supersensível, irritadiço, desconfiado, observador minucioso e investigador da vida alheia; sempre armado e alerta contra tudo e contra todos, finge superioridade quando, na realidade sente-se inferiorizado. O comportamento descrito o leva a exaustão, porque necessita ocultar o seu precário estado de harmonia interior.

Trago aqui alguns tipos de inveja: a Compulsiva, verdadeira, lamentação, mascarada, piedosa, melancólica, maledicente, competitiva, odiosa, insesata, passiva, medíocre, orgulhosa, vaidosa e neurótica.


Assim, quem sai mais prejudicado da inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a auto-estima, destrói o crescimento individual, destruindo a sua auto-aceitação porque não produz mudanças favoráveis ao desenvolvimento do invejoso, enquanto pessoa.


FONTES:
KLEIN, M. Psicanálise da Criança. São Paulo, Ed. Mestre Jou , 1969.
________ Inveja e Gratidão e outros trabalhos. Rio de Janeiro, Imago ,
LAPLANCHE, J. et alli Diccionario de Psicoanalisis. Buenos Aires, Editorial Labor, 1971.
__________________ Teoria da sedução generalizada. Porto Alegre, Artes Médicas, 1988.
__________________ Vocabulário da psicanálise. São Paulo, Martins Fontes, 1992.http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/inveja/inveja.html
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2040
http://www.psicologia.org.br/internacional/ap22.htm

ZONA DE CONFORTO


A ZONA DE CONFORTO

MIGUEL LUCAS


Na minha experiência como psicólogo e treinador, aquilo que mais promovo e ao mesmo tempo me confronto diariamente é como estimular os meus clientes e atletas a fazer coisas que lhe facilitem os seus objetivos, resolvam os seus problemas ou promovam comportamentos saudáveis. Alimentação regrada, exercício físico, deixar um mau relacionamento, iniciar um novo negócio, iniciar uma nova técnica, mudar uma crença, ser mais assertivo, estas são algumas das muitas coisas que as pessoas normalmente querem realizar, mas falham na tomada de ação.

Evitamos essas coisas porque, de uma forma ou de outra, todos elas envolvem diferentes tipos de dor. Se você quer perder peso, tem que enfrentar a dor de privar-se dos alimentos que você gosta. Se quiser deixar um relacionamento, você tem que enfrentar o fantasma da solidão. Se você quer começar um novo negócio, você tem que enfrentar a possibilidade de não ter êxito. Se um atleta quer alterar uma técnica, tem de lidar com o desconforto dos novos movimentos. Se pretende mudar uma crença, tem de lidar com uma nova forma de pensar. Se gostava de ser mais assertivo, tem de aprender a comunicar melhor e a estar atento às suas reações e consequências dos seus comportamentos.

Não importa se evitamos essas coisas uma ou duas vezes por ano. Mas para a maioria de nós, a evasão torna-se um modo de vida. Barricamo-nos atrás de uma barreira invisível que não nos permite aventurarmo-nos, porque para lá desse muro fica a experiência de dor e mal-estar. Esse espaço seguro, onde nos sentimos seguros e confortáveis, chama-se “zona de conforto.” Nos casos mais extremos, as pessoas realmente escondem-se atrás dos muros da sua própria casa. Isto verifica-se na fobia social em que a pessoa foi restringindo a sua zona de conforto aos limites das paredes da sua casa. Mas para a maioria de nós, a zona de conforto não é um espaço físico, é um modo de vida, que faz com que se evite qualquer coisa que possa ser doloroso ou que possamos perspetivar esforço acrescido. E, inevitavelmente isso inibe o alcance de alguns dos nossos objetivos, dado que nos afastamos dos caminhos dolorosos. E certamente, em algumas áreas da nossa vida, o sucesso é edificado na capacidade que temos de enfrentar obstáculos e dificuldades.

Citação: “Grandes empreendedores estão confortáveis em estarem desconfortáveis.” – Steve Blank


O PREÇO A PAGAR PELA ZONA DE CONFORTO
Para que você possa ter uma experiência pessoal, tente o seguinte exercício:

Feche os olhos. Pense em algo que você cronicamente evita fazer, por exemplo, conhecer novas pessoas, equilibrar as finanças pessoais, uma conversa difícil ou voltar a estudar. De que forma você se organiza ao ponto de evitar fazê-lo? Imagine que padrão de evitamento permite com que você não faça essas coisas. Essa é a sua zona de conforto. Qual é a sensação?

É muito provável que quando você evita algo que lhe é incómodo, depois se sinta como se estivesse num lugar seguro e familiar, livre da dor que o mundo pode provocar-lhe. Mas o exercício deixa de fora um ingrediente que também é parte da zona de conforto da maioria das pessoas. Simplesmente escapar à dor e mal-estar não é suficiente para a grande maioria de nós. Insistimos que a dor pode ser substituído pelo prazer. Fazemos isso com uma infindável variedade de atividades que causam problemas psicológicos e dependências. Exemplos incluem, vício das redes sociais, drogas, álcool e jogo, pornografia, ou compras excessivas. Todos estes comportamentos são muito comuns na tão proclamada cultura de conforto. Este tipo de comportamentos indesejados, são impulsionados pela tentativa da pessoa diminuir a ansiedade. A pessoa escolhe atividades que permitem reduzir a ansiedade e ao mesmo tempo lhe proporcionem prazer, no entanto essas mesmas atividades a longo prazo irão causar uma dor maior do que a saída saudável da sua zona de conforto.

O quer que seja que consista a sua zona de conforto, você paga um preço enorme por isso. A vida oferece possibilidades incríveis, mas você não pode aproveitá-las sem ter que enfrentar algum tipo de dor, esforço, sacrifico ou sofrimento. Se você tem um baixo índice de tolerância à dor e mal-estar, é importante ganhar a noção que isso pode ser um tremendo impeditivo ao desenvolvimento do seu potencial. Há muitos exemplos disso. Se você é tímido e evita as pessoas e o contato social, irá perder a oportunidade de estabelecer imensos contatos que poderiam enriquecer a sua vida. Se você é criativo, mas não suporta críticas, você certamente afastará a grande maioria das pessoas que poderiam apreciar (a fundo) o seu trabalho. Se você é um líder e não pode confrontar ou estabelecer laços com as pessoas, ninguém vai segui-lo. Ao ficar na sua zona de conforto, você acaba abandonando a maioria dos seus sonhos e aspirações.

Apresento alguns artigos que podem ajudá-lo a promover a saída da zona de conforto e a explorar todo o seu potencial e oportunidades de vida:

Como superar a timidez
O poder da ação: Fazer o que é necessário ser feito
10 Exercícios para melhorar a sua força de vontade e auto-disciplina
AÇÃO MASSIVA FAZ QUEBRAR A ZONA DE CONFORTO
É importante que perceba o custo terrível de manter-se na sua zona de conforto e evitar comportamentos, atitudes e atividades que podem contribuir para o seu desenvolvimento pessoal. Sei por experiência que transmitir por si só a informação anterior, não é suficiente para levar as pessoas a mudar. A razão é que a informação funciona com base no nível de pensamento consciente ou racional. Mas a parte de nós que evita a dor é completamente processada de forma subconsciente.

Aquilo que nos provoca medo ou dor, sofrimento e mal-estar, faz-nos disparar um alarme de proteção:

“Isto é terrível para mim” ou “Isto é muito difícil” ou “Isto pode vir a ser embaraçoso para mim” e consequentemente faz com que a pessoa se agarre à sua zona de conforto, como se sua vida dependesse disso.

Lutar com um medo forte e irracional é extremamente difícil. Em vez disso, você precisa de uma força, de uma estratégia e de entendimento de como funciona o nosso organismo perante uma ameaça (mesmo uma ameaça imaginada). Você beneficia de aprender a movimentar-se por aquilo que quer e pretende alcançar e não por aquilo que teme ou lhe causa ansiedade. Você não é o seu medo. E sentir medo, apesar de ser desagradável, não é certamente aquilo que melhor o define. Você certamente possui forças e virtudes em si mesmo que possibilitam enfrentar alguns dos seus receios. E sair da sua zona de conforto é um excelente treino para enfrentar aquilo que teme.

A saber: Aproximar-se daquilo que deseja é promotor da sua felicidade, afastar-se daquilo que teme e lhe causa ansiedade extrema, é um promotor de infelicidade.

Se pretende aprofundar a sua informação acerca dos benefícios de sair da sua zona de conforto e como fazê-lo, leia:

6 Razões para expandir a sua zona de conforto
Saia da sua zona de conforto e potencie a sua vida
Se você teve demasiado tempo na sua zona de conforto, e com isso desenvolveu alguns maus hábitos que sente estarem a prejudicar a sua vida, leia:

Capacite-se e lidere-se para mudar os maus hábitos

PROCRASTINAÇÃO- O FAMOSO DEIXAR PARA DEPOIS



Procrastinação é um distúrbio crônico e prejudicial, mas fácil de ser vencido

Alessandro Vianna é psicólogo clínico e sente um enorme prazer em estudar e entender o comportamento humano.

Procrastinar é algo de que pouco se fala, mas que muito se faz. Embora "embromação" possa ser um de seus quase sinônimos populares, a procrastinação vai um pouco além disso. É um comportamento crônico nocivo, embora muito comum. 

É aquele hábito de deixar tudo para depois: uma tarefa "chata", os estudos, o regime alime
ntar, as práticas físicas, o abandono de um vício, passar a economizar – coisas que sabemos que precisamos fazer, mas que, por inúmeras razões, ficamos adiando; muitas vezes nos enganando com desculpas frágeis e, não raro, falsas.

O procrastinador é alguém faz várias coisas ao mesmo tempo, exatamente para não fazer aquilo que realmente deve ser feito. Quando pensa no que de fato tem de fazer, sente-se preso e sem reação.

As consequências não raro são danosas, especialmente a longo prazo, quando, olhando pra trás, se percebe quanto tempo foi jogado fora por falta de ação objetiva.


Ao deixar de cumprir certas obrigações, decepcionamos alguém e perdemos credibilidade e oportunidades. Isso se percebe claramente na vida conjugal, no convívio familiar e na carreira profissional. Depois ficamos observando a trajetória de outras pessoas, que entraram em forma, ganharam conhecimentos e avançaram profissionalmente.

Quando vejo pessoas querendo empreender grandes mudanças de imediato, sei que estou diante de um procrastinador, porque ele fica inativo por muito tempo e, depois que percebe nos outros o quanto não evoluiu, resolve mudar tudo de uma vez.

É óbvio que não vai conseguir, porque as nossas grandes realizações são conquistadas aos poucos.

Desse modo, novamente derrotada, essa pessoa tende a desanimar e voltar a procrastinar novamente, repetindo um ciclo fadado à infelicidade.

Enquanto procrastina, a pessoa vai absorvendo estresse por uma oculta sensação de culpa, sentindo a sua perda de produtividade e cultivando vergonha em relação aos demais, por não conseguir cumprir seus compromissos.

A formação de um “enrolador” muitas vezes começa na infância. Crianças podem tornar-se procrastinadoras no futuro por conta do tratamento que recebem dos adultos. Daí a conveniência de revermos constantemente as nossas crenças, para nos livrarmos de influências negativas que adquirimos ao longo da vida.

Duas das vertentes mais clássicas são:

- A criança extremamente protegida, condicionada a achar que sempre alguém fará por ela. Quando adulta, ela tenderá, inconscientemente, a sentir-se insegura para agir, por não ter alguém auxiliando-a.

- A criança que é exageradamente cobrada. Ela pode desenvolver a característica do perfeccionismo. Assim, ela tende à procrastinação por acreditar que, mesmo se dedicando, não conseguirá realizar as coisas de modo primoroso – e acaba postergando tudo o que acha importante.

Tratamento
A procrastinação crônica é quase sempre associada a alguma disfunção psicológica ou fisiológica. Portanto, é passível de tratamento.

Quando recebo pacientes procrastinadores, incluo no tratamento algumas recomendações que ajudam muito a livrá-los dessa anomalia. Eis algumas:

- Reconheça, quando está enrolando, que pode haver mais dor em procrastinar do que em realizar a tarefa. Muita coisa é menos complicada do que parece ser.

- Não deixe aquele afazer chato por último, para que ele não se torne urgente e o apavore ainda mais.

- Experimente a sensação de alívio e o fortalecimento da auto-estima após concluir uma tarefa e perceba que livrou-se dela de maneira positiva, enfrentando-a.

- Para encorajar-se, pense no que vai deixar de ganhar ou no que pode perder caso não realize essa atividade. Se puder escrevê-las e avaliá-las seriamente, melhor.

- Se a tarefa for muito trabalhosa, divida-a em partes e vá realizando uma a uma, com um pequeno intervalo entre elas, e comemorando (sim!) a última concluída.

- Abra-se para o novo, deixando de agarrar-se às velhas experiências e crenças. O passado não volta mais; o presente é continuamente feito de novos desafios e o futuro é construído passo a passo pelas ações do presente.

- Quando perceber que está querendo procrastinar de novo, proponha-se a atuar por apenas alguns minutos na ação que está tentando evitar. Pode ser que você perceba que não é tão desagradável quanto pensava e venha a vencê-la (touché!).

- Caso lhe seja por demais desagradável, dê-se uma pausa e passe a fazer algo útil (não pare de agir), mas determine quando voltará ao assunto pendente.

A principal vitória é vencer a procrastinação em si. Trata-se de uma vitória para a vida inteira, como a daquela criança que um dia perde o medo do escuro.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

FERRAMENTAS PSICOLÓGICAS


CAIXA DE FERRAMENTAS PSICOLÓGICAS PARA A VIDA

MIGUEL LUCAS
Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. 

É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, 
treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. 
É autor da Escola Psicologia.

A vida tem tantos caminhos quanto pessoas existem no mundo. 
A maravilha da existência humana pode ser encontrada no mais simples ato 
do ser humano, no entanto eu considero que o fato de cada um de nós sermos 
únicos é a mais maravilhosa maravilha de todas. No entanto, é evidente que em 
muito somos semelhantes. Viemos ao mundo sem um livro de instruções
Ao longo da nossa caminhada pelas vicissitudes da vida iremos nos deparando com dificuldades, 
vamos traçando objetivos, somos alvo de imposições, impomos a nossa vontade, somos competitivos, fracassamos, desiludimo-nos, iludimo-nos, conquistamos sonhos, entre muitas outras coisas. 
Representamos imensos papéis e percebemos que necessitamos de imensas aprendizagens,
 habilidades e competências para equilibradamente construirmos e percorrermos o labirinto da vida. Inevitavelmente, por vezes perdemos o rumo, perdemos a noção do caminho para a saída, 
confundimo-nos nos caminhos ilusórios e corremos o risco de percorrermos vezes sem 
conta os mesmos percursos que tantos problemas nos causam.

FERRAMENTAS PSICOLÓGICAS PROMOVEM A ADAPTAÇÃO À VIDA


A vida mudou drasticamente na última década, a velocidade a que a mudança 

se impõe causa-nos dificuldades de adaptação. Foi através da adaptação que conseguimos 
chegar aos dias de hoje. Uma adaptação que foi emergindo lentamente. A adaptação à vida 
deixou de ser lenta, o nosso organismo e estruturas mentais na grande maioria das vezes 
não conseguem responder de forma eficaz e adequada às necessidades que temos.
 Emergem problemas psicológicos que se cruzam com problemas físicos e que inevitavelmente
 promovem os problemas pessoais. Os problemas pessoais confundem-se com os problemas
 psicológicos e físicos, um diagnóstico e possível tratamento torna-se difícil de realizar.
Acredito que o caminho para uma mais fácil adaptação e adequação à vida atual, 

gira em torno da flexibilidade de pensamento e entendimento acerca do funcionamento 
do nosso organismo. É, ainda importante perceber que existem em nós ”velhas” 
formas de pensamento, instituídas e transmitidas através do senso comum, 
(muito provavelmente algumas delas completamente desadequadas à realidade) 
que promovem a construção de uma estrutura mental rígida e inadequada para lidar 
com o ritmo frenético e desmedido da mudança oriunda da imensidão de estímulos 
com que nos deparamos diariamente.
No sentido de ter à sua disposição algumas ferramentas psicológicas úteis para lidar 

com as novas situações emergentes, num mundo que gira a uma velocidade elevada e 
que dificulta a tranquilidade e assertividade necessárias para decisões que nos sirvam,
 apresento uma compilação de conceitos que têm por função facilitar a adequação à vida.
 Aproveite, usufrua e implemente na sua mente formas mais assertivas para lidar
 com as vicissitudes da vida.

O HUMOR É AMIGO E O TEMPERAMENTO TEMPESTIVO O PIOR INIMIGO


O sentido de humor permite sermos flexíveis e conseguirmos perspetivar as 

coisas com algum distanciamento e suavidade. A capacidade para relativizar 
a seriedade de alguns assuntos, coloca-nos num estado de aceitação que a frieza
 temperamental nos retira. A reatividade excessiva tolda-nos o raciocínio, estreita-nos 
o pensamento e aumenta-nos a irritabilidade, arrastando-nos para uma rigidez prejudicial
 à tomada de decisões que nos sirvam.

SE NÃO PODE MUDAR UM EVENTO, PODE MUDAR A SUA ATITUDE FACE A ELE


Os eventos passados inevitavelmente não podem ser mudados, por muito que 

gostássemos que pudessem acontecer de um outra forma ou que desaparecessem 
da nossa memória, isso é impossível. O que pode ser alvo de intervenção e/ou de 
ação é a atitude face ao evento. Podemos reavaliá-lo, reinterpretá-lo e atribuir-lhe 
outro significado.

SEJA AUTO-DIRIGIDO, E NÃO REATIVO (Dirigido por sensações)


Agir em consciência e de acordo com os valores que nos orientam na vida é 

sempre importante para mais tarde não nos arrependermos. Quem não teve já 
determinadas reações desajustadas, que nos causaram transtorno, mal-estar 
acabando por nos prejudicar? Saber gerir as emoções e conseguir que estas estejam a
linhadas com aquilo que sabemos ser assertivo é uma mais valia para sermos bem sucedidos. 
Quando reagimos, e somos impulsivos podemos ser levados a ter ações que não nos servem. A nossa capacidade de agirmos em consciência reside no intervalo entre o estímulo e a resposta.
 Nesse espaço de tempo reside a capacidade de nos auto-dirigirmos em consciência e 
cientes das consequências das nossas ações.

OS SINTOMAS FÍSICOS PODEM SER ANGUSTIANTES, MAS NÃO SÃO PERIGOSOS


O nosso corpo está “programado” para sentir um conjunto de sensações, agradáveis e 

desagradáveis, estas últimas são interpretadas como negativas e angustiantes, 
causam-nos mal-estar, contribuem para a diminuição do nosso humor e colocam-nos 
por vezes em estado de alerta. Quando começamos a interpretar de forma recorrente 
e depreciativa as sensações negativas que o nosso corpo emite, podemos igualmente passar 
a interpretá-las com medo, gerando sentimentos negativos. É importante que perceba que os 
sentimentos negativos pertencem-lhe, mas não são você, fazem-se sentir, mas não são a 
sua personalidade. Você é aquele que sente, como tal, cada vez que teme sentir aquilo 
para o qual está “programado” para sentir, começa a desenvolver um conjunto de 
pensamentos depreciativos acerca dessas sensações negativas, e caso se tenha 
fundido a essas sensações é possível que comecem a emergir apreciações depreciativas 
acerca de si mesmo.
Quando começa a temer as sua sensações físicas, a interpretá-las com medo e a 

mascará-las como sendo um problema inerente a si mesmo, o seu problema teve inicio. 
Julga ser diferente das outras pessoas, que tem um problemas de atitude ou que algo na 
sua forma de ser está errado, com isso em mente, começa a ficar vulnerável aos transtornos 
da ansiedade, como as fobias específicas, a fobia social, ataques de pânico, transtorno 
obsessivo-compulsivo, medo de falar em público, entre outros. Aceitar e compreender 
que inevitavelmente temos de sentir determinadas sensações desagradáveis emitidas 
pela capacidade que o nosso corpo tem para gerá-las, não tem necessariamente que ser 
interpretado como algo perigoso, que nos possa fazer mal, ou que algo de errado se passa conosco.
 É apenas um sistema de alerta que nos informa que algo na nossa vida necessita de uma 
atenção mais cuidada. É um sinal emitido a nosso favor que nos impele à ação para a solução 
daquilo que nos gera incômodo.


O CONFORTO É UM DESEJO, NÃO UMA NECESSIDADE


A humanidade caminha a passos largos para a obtenção de conforto nas 

nossas vidas. Mas como tudo na vida, o conforto também se torna um hábito, 
e enquanto hábito torna-se num desejo. Um hábito que se tornou desejo, 
ou um desejo que se tornou um hábito, conduz-nos inevitavelmente para uma 
situação de vulnerabilidade. Confundimos algo que é bom, que nos facilita a vida 
como uma necessidade constante. Puro engano, algo que nos é agradável e nos facilita 
a vida, não é necessariamente uma necessidade.
Dica: Por vezes opte pelo desconforto para obter conforto.
Em determinadas situações de vida, é adequado, ajustado e funcional fazermos coisas 

que nos custam, que são difíceis que nos causam alguma dor e mal-estar. Não torne algo 
que deseja numa necessidade, pois passa a depender demasiado do conforto, e para nos
 desenvolvermos, progredirmos e crescermos inevitavelmente o desconforto cruzar-se-á
 no nosso caminho.


NÃO EXISTE CERTO OU ERRADO, MAS SIM RESULTADOS


Não quero transmitir a ideia que não possamos ter uma noção daquilo que é certo 

ou errado para nós. No entanto, convém dentro do que nos é possível levar em consideração 
o contexto e a relativização dos assuntos ou situação entre mãos. No que se refere à execução
 ou persecução dos nossos objetivos, na grande maioria das vezes temos tendência para 
classificar algumas coisas como certo ou errado, como boas ou más. O que nos faz remeter 
para juízos acerca dos nossos comportamentos, capacidade e habilidades, sendo que quando 
não obtemos o que queremos ou falhamos, podemos ter tendência para nos depreciarmos,
 para virar as coisas para nós mesmos. Esta personalização dos acontecimentos ou da realização
 das tarefas, pode afetar-nos a auto estima e auto confiança, retirando-nos capacidade e 
promovendo o sentimento de culpa.
Dica: Tenha coragem para errar. O erro é um aliado da melhoria.
Exemplo da forma mais capacitadora de analisar o erro ou fracasso: se olharmos para 

as nossas ações, desempenhos e realizações como resultados, como um produto de um 
conjunto de decisões, pensamentos, atitudes, verbalizações e forma de agir que nos 
encaminharam para um resultado insatisfatório, ficamos numa posição para a melhoria. 
Se conseguirmos operacionalizar este conceito (ver os desempenhos e as realizações 
como resultados), conseguimos focar a nossa atenção no processo que nos encaminhou 
para aquilo que normalmente chamamos de erro e fracasso. Com este conceito em mente,
 certamente estaremos mais aptos a conseguir perceber como é que podemos fazer 
melhor na próxima oportunidade.

CALMA GERA CALMA, IRRITABILIDADE GERA IRRITABILIDADE


Comportamento gera comportamento. É um cliché muito utilizado em psicologia,

 e por isso mesmo bastante consensual. Uma das estratégias utilizadas pelos grandes
 comunicadores, vendedores e líderes é espelharem o outro, seguirem alguns padrões 
comportamentais expressos na sua linguagem corporal, tom de voz e diálogo utilizado.
 Se conseguirmos expressar um tom de voz calmo, um discurso tranquilo e assertivo, 
certamente a outra pessoa tende a seguir essa atitude positiva, ao invés se mostrarmos arrogância,
 hostilidade e um discurso destrutivo e agressivo o mesmo acontecerá, a outra pessoa vai seguir-nos.


OS SENTIMENTOS DEVEM SER EXPRESSOS E O MAU TEMPERAMENTO SUPRIMIDO


Quando digo que os sentimentos devem ser expressos, não quero passar a mensagem 

que devemos agir sempre de acordo com aquilo que sentimos, ou que devemos passar
 sempre os nossos sentimentos para ações. Podendo acontecer em algumas circunstâncias, 
nem sempre pode ser adequado passá-los para ações. Ainda assim, pode ser benéfico expressá-los
 e verbalizá-los, mesmo que seja em verbalizações silenciosas. O mero ato de ouvirmos o que 
estamos a sentir pode ajudar-nos a reorientar as nossas ações, tendo como pano de fundo a 
nossa consciência. Inevitavelmente se estivermos a expressar de forma assertiva alguns
 sentimentos negativos ou hostis, com mais facilidade conseguiremos auto-regular a impulsividade
 do mau temperamento gerado por esses mesmos sentimentos.
É, por isso importante aprender a lidar com os sentimentos negativos, que por sua vez 
nos ajudará 

a suprimir o mau temperamento e as consequências quase sempre negativas daí oriundas.


DESESPERANÇA NÃO É DESESPERO


A desesperança é a perda de uma crença acerca de algo, que na grande maioria 

das vezes pode incorrer numa generalização para as várias áreas da nossa vida. 
Cai-se numa paralisia da vontade e deixamos de ver significado nas coisas que até à 
data eram importantes para nós. Não que possamos dizer que já não gostamos delas, 
mas que temporariamente sentimos que não vale a pena fazermos mais esforço, porque julgamos 
impossíveis de alcançar. Podemos dizer, que gerou-se um sentimento generalizado de desesperança
 na vida ou numa situação muito particular, inibindo-nos a força de vontade para continuarmos a 
fazer coisas em prol daquilo que antes era um objetivo. Ao invés, o desespero remete-nos para
 algo que queremos muito e coloca-nos num estado em que faríamos “quase” qualquer coisa para 
obter o que desejamos. O desespero gera-nos impaciência e a desesperança retira-nos a vontade 
para fazer o quer que seja.


PROMOVA A AUTO CONFIANÇA


A auto confiança é um conceito central na nossa autonomia e capacidade de tomar decisões, 

influenciando determinantemente os nossos pensamentos e atitudes. Podemos dizer que é um 
construto central na nossa identidade. Joga um peso elevado no ímpeto que temos ou que não
 temos para realizar aquilo que desejamos. Por tudo isto, devemos reservar-lhe especial atenção
 e dedicação. Devemos investir na nossa auto confiança. Uma forma de poder fazer este exercício é desapegando-se da sua baixa auto confiança (se for o caso). Distancie-se da percepção que tem
 de não ter confiança para realizar algo. Desapegue-se desse sentimento que tem acerca de si mesmo, 
e avalie alguns fatos que possam estar a impedir de tomar a iniciativa ou que lhe geram medo de 
propor-se a realizar algo. Muito provavelmente, vai verificar que necessita de aprender um conjunto
 de estratégias que lhe permitem munir-se de algumas ferramentas necessárias para 
realizar o que deseja.
Com este ponto de vista em mente, poderemos dizer que não se trata de ter uma baixa 

auto confiança, mas sim da necessidade de aprender um conjunto de estratégias e formas 
de lidar com algumas situações. Se assim é, então encontrou uma forma para se retirar da 
ideia que tem uma baixa auto confiança e passar a usar um conceito mais capacitador: 
aprendizagem de estratégias em falta.


FAÇA AS COISAS POR PARTES


Quer estejamos a tentar melhorar algum problema psicológico, quer pretendamos 

alcançar algum objetivo, por vezes desejamos isso para ontem, queremos apressadamente 
alcançar algo que nos incapacita ou ao invés, algo que nos proporciona prazer e realização. 
Perante tais cenários, podemos ter um impulso para a impaciência, para saltarmos 
prematuramente para o resultado tão desejado. Mas, como tudo na vida, cada coisa tem 
o seu tempo e o seu ritmo para acontecer. É, por isso importante tentarmos perceber o nosso 
ritmo e o ritmo do processo que nos conduz ao resultado pretendido. A forma mais assertiva é 
irmos passo a passo, pouco a pouco avançando seguramente e cumprindo as fases necessárias
 para alcançarmos o sucesso. Se a tarefa é complicada, exigente e necessita de muitos recursos, 
divida-a em partes, organize um sequência lógica do progresso e das estratégias a ativar 
em cada fase. Certifique-se que cumpre o seu plano, fazendo uma monitorização objetiva. 
Se algo não estiver a correr como o previsto, redefina o objetivo para essa fase ou volte a tentar 
fazer, mas não coloque todo o processo em causa só porque uma das partes não está a resultar.


APROVE E RECONHEÇA O ESFORÇO E NÃO APENAS O DESEMPENHO


Se elogiarmos em demasia uma criança pelo seu excelente desempenho e usualmente

 enaltecermos a sua inteligência, pode à primeira vista parecer algo muito bom e enriquecedor. 
Contudo, se observarmos por outro prisma, que nos encaminhe para uma avaliação do 
impacto psicológico que possa ter, perceberemos que elogiamos as qualidades de forma 
isolada, atribuindo o resultado à criança e não necessariamente à forma como fez e ao esforço 
aplicado. Mais tarde, quando a criança se defrontar com alguma dificuldade para atingir os resultados pretendidos, pode facilmente desistir, ou emitir um juízo de incapacidade ou de valor negativo, 
dado que tem de esforçar-se. Se se esforça, é porque não é boa o suficiente, se não é boa o 
suficiente, logo começa a colocar-se em causa. Nasceu um problema de baixa auto estima 
e auto conceito diminuído.
Na verdade, os adultos não fogem muito a todo este processo. Somos vulneráveis aos 

mesmos raciocínios e consequentes problemas oriundos dessa forma desadequada de pensar 
acerca dos nossos desempenhos. Para um maior reforço das nossas capacidades, habilidades,
 auto confiança e auto estima, importa emparelhar o desempenho com a noção de esforço 
aplicada ao processo que levou aos resultados, satisfatórios ou não.


FAÇA ALGUMAS COISAS QUE ODEIA E QUE TEM MEDO DE FAZER


O medo inibe-nos, amedronta-nos, coloca-nos num estado de ansiedade retirando-nos 

capacidade e clareza de pensamento. Ficamos num estado alterado de consciência e de fisiologia.
 O corpo ativa-se e a mente foca-se na ameaça (na maioria das vezes uma ameaça imaginada). 
Num estado de plena retração, todos os nossos recursos são disponibilizados para nos livramos 
da ameaça, e raramente para a enfrentarmos. Na verdade, o medo gera-nos uma energia extra,
 que se for canalizada para enfrentarmos alguma das coisas que criam o medo, estamos a 
aproveitá-la para a construção da solução. Falamos aqui dos medos subjetivos e não das 
ameaças reais, tais como podermos ser assaltados ou alguém apontar-nos uma arma. 
Esse tipo de medo é real face a uma acontecimento concreto.
Mas, os medos que nos causam incômodo e angústia, são medos relacionados 

com as nossas incertezas, incapacidades e debilidades. São medos que sentimos por 
antecipação de virmos a enfrentar aquilo que percepcionamos como ameaça. Em psicologia,
 uma das terapias muito usadas para resolver problemas relacionados com o medo,
 tal como nas fobias, é a exposição. A exposição, trata-se de levar a pessoa a enfrentar
 o seu medo imaginado, de forma a que o posso sentir no local ou perante aquilo que teme, 
e comprovar que nada de mal lhe pode suceder. Enfrentar o medo é fazer com que se 
desconfirme.


DECIDA, PLANIFIQUE E EXECUTE


A dificuldade de tomar decisões afeta-nos a todos. Quem não passou já

 por períodos de dúvidas e incertezas acerca do melhor rumo a tomar, 
ou no que escolher. É claro que nem todas as decisões jogam o mesmo peso 
na nossa vida. Umas decisões certamente terão um impacto mais profundo que outras.
 Escolher o prato que quero para o jantar não terá o mesmo impacto na minha vida 
como escolher que curso me quero inscrever. Inequivocamente saber tomar decisões acertadas 
e que nos sirvam é uma condicionante de vida. De qualquer forma de nada servirá saber
 tomar decisões, se elas não forem suportadas por um plano realista e exequível. 
O passo seguinte é operacionalizar o que se decidiu e planeou, através da ação. 
A ação culmina a tomada de decisão. É quando executamos e agimos que comprovamos 
se a nossa decisão deu frutos ou não. Uma decisão sem a devida planificação e execução
 pode comprovar-se estéril.


SUBSTITUA UM PENSAMENTO NEGATIVO POR UM PENSAMENTO POSITIVO


Os pensamentos negativos podem ser perturbadores, quer os que se remetem para nós,

, para os nossos receios, incapacidades, incertezas, dúvidas ou aqueles acerca dos outros e do mundo.
 Ter pontualmente pensamentos negativos é algo normal e por vezes útil na nossa vida. 
Mas, se isso acontece a grande maioria do tempo e em relação à grande maioria dos 
acontecimentos da nossa vida, certamente o incômodo causado é enorme.
 Sentimo-nos mal, angustiados, depreciativos e provavelmente num estado recorrente 
de humor diminuído. Perante tal estado, pouco a pouco, começamos a enraizar uma forma 
negativa de processar grande parte dos estímulos externos e igualmente os internos. 
A nossa rede neuronal fica viciada em ativar os caminhos da negatividade e tudo pode 
parecer-nos sombrio.
Dica: O problema não está em ter pensamentos negativos, mas sim em segui-los.
Acabei de fazer uma descrição muito drástica.Uma visão quase catastrófica acerca 

dos pensamentos negativos. Quem se vê ou se viu envolvido nos padrões mentais da 
negatividade já experienciou os problemas causados por esta forma de raciocínio pessimista 
e incapacitante. No entanto, é possível reverter e instituir padrões mentais mais capazes, 
otimistas e funcionais. Se aproveitarmos os pensamentos negativos para nos servirem 
como marcadores, como avisos que estamos a entrar numa linha de raciocínio pejorativo, 
ficamos mais capazes para os substituir por pensamentos positivos. 
Ao fazer a substituição, foque-se nos pensamentos capacitadores que criou e siga-os.
 A substituição foi consumada com êxito!


SEJA EXIGENTE, MAS REALISTA E MONITORIZE AS SUAS EXPETATIVAS


Eleve a sua fasquia, puxe por si, estabeleça objetivos que mexam consigo, energize-se,

 esforce-se e vá até ao seu limite, mas certifique-se que se tem preparado para o desafio
 que tem entre mãos. Estabeleça desafios que accionem todos os seus recursos e que ao
 mesmo tempo estejam suportados na sua capacidade de agir, de enveredar num conjunto 
de passos e ações que suportem e comprovem a sua ambição. Durante o percurso, arranje 
algumas forma de conseguir medir o seu progresso, tente perceber se está a caminhar na
 direção pretendida. 
Faça algumas avaliações que lhe forneçam informação acerca do estado ou do estádio 
em que se encontra. Com esses dados, consegue perceber se pode continuar ou se 
tem de fazer alguns ajustes. A reestruturação e redefinição das expetativas (caso seja necessário),
 durante todo o processo é uma estratégia inteligente e assertiva que promove e pode assegurar
 a obtenção do objetivo desejado.

AS PESSOAS FAZEM COISAS QUE NOS INCOMODAM, NÃO NECESSARIAMENTE PARA NOS ABORRECER


Uma das distorções de pensamento que por vezes nos atrapalham é a personalização. 

Colocamo-nos no centro das atenções e atribuímos um significado pessoal à grande parte das 
coisas que os outros fazem ou dizem. Certamente, alguns dos comportamentos, atitudes e 
verbalizações vindas dos outros incomodam-nos, parecem ter sido tecidas para nós mesmos 
e ficamos sentidos com isso. É importante que saibamos que provavelmente nem sempre 
as outras pessoas agem tendo por objetivo magoar-nos ou atingir-nos com o quer que seja. 
O que pode acontecer, é que interpretamos isso como sendo dirigido a nós e automaticamente 
emitimos um sentimento negativo. Este sentimento provavelmente terá muito mais relação com 
os nossos “fantasmas” do que com a intenção da outra pessoa para nos aborrecer ou atingir de 
forma sarcástica ou depreciativa. Dê a si mesmo o benefício da dúvida, não personalize e tente
 interpretar aquilo que sente ligado a algo que não gosta e não necessariamente 
porque a outra pessoa lhe quer provocar algum tipo de incômodo.